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UNESCO alerta para danos causados ao património cultural do Irão

UNESCO alerta para danos causados ao património cultural do Irão

Quatro locais dos 29 classificados como património mundial no Irão foram atingidos por ataques, segundo a organização mundial. A preservação destes sítios de valor excecional é uma obrigação desde a Convenção de Haia de 1954, sublinha a Unesco.

Um Olhar Europeu com Franceinfo /
Parte do Palácio do Golestan danificado após os ataques israelo-americanos a 3 de março de 2026 em Teerão (Irão). XINHUA / MAXPPP



Perante a enxurrada de ataques aéreos, mísseis e drones no Médio Oriente, a UNESCO está preocupada com os danos causados aos sítios do Património Mundial. 

De acordo com a organização mundial, quatro dos 29 sítios iranianos classificados como património mundial foram atingidos. 

Por seu lado, o Ministério iraniano do Património Cultural e do Turismo comunicou danos em pelo menos 56 museus e locais históricos em todo o Irão.

Apelidado de Versalhes iraniano, o Palácio de Golestan, uma joia do centro histórico de Teerão, foi danificado nos primeiros dias da guerra por ataques israelo-americanos nas proximidades. 

Este monumento de arquitetura tradicional persa e europeia data do século XVI. Na sua conta no X, a agência de imprensa da República Islâmica publicou fotografias de janelas rebentadas, portas danificadas e fragmentos de vitrais espalhados. Estas fotografias foram depois amplamente divulgadas por vários meios de comunicação social internacionais, desde o Haaretz, em Israel, ao Washington Post, nos Estados Unidos, e à Radio France.
A obrigação de preservar o património cultural
"O Unosat permite-nos analisar as imagens de satélite mas, infelizmente, estamos a ter algumas dificuldades em aceder a essas imagens", afirma Krista Pikkat, Diretora da Cultura e das Emergências da UNESCO, que se baseia nomeadamente nos relatórios do seu gabinete no terreno e de um organismo da ONU. 

Nesta fase, o único sítio onde pudemos verificar os estragos foi o Palácio de Golestan: vimos danos importantes nos edifícios da zona tampão. Presumimos que possa ter havido um impacto no interior do palácio, apenas através das ondas de choque. O mesmo se aplica aos edifícios perto do Grande Bazar de Teerão".

A preservação destes sítios de valor excecional é uma obrigação desde a Convenção de Haia de 1954, como recorda a UNESCO. "Também contactámos as partes interessadas, Irão, Israel e Estados Unidos, dando-lhes as coordenadas geográficas destes sítios culturais do património mundial", prossegue Krista Pikkat. Sente que tem uma voz e uma opinião que contam? "Espero que sim", responde.

A Unesco alerta também para os danos causados à Cidade Branca de Telavive, em Israel, e ao sítio arqueológico de Tiro, no Líbano. Existem 125 sítios classificados como Património Mundial na zona afetada pelo conflito.

Radio France / 17 março 2026 09:10 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP
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